
Aconteceu há poucos dias. Foi mais um dia daqueles. Daqueles que as palavras sentem muita dificuldade em definir. A luz foi tanta que parecia a luz do início. Fez-se sentir como se fosse, quiçá, a luz da concepção, ou da criação de algo de novo, ou talvez ainda, da evolução para algo que agora já me sinto preparado para começar a receber. E se ainda existissem algumas réstias de dúvidas sobre se realmente estaria ou não de novo a percorrer o caminho, essa luz fez com que tudo isso se dissolvesse e criou o brilho da certeza de que é este o caminho. Já sei que não vai ser sempre simples, que não vai ser sempre linear, que haverá tentações de outros caminhos, e que muitos deles, aliás a sua esmagadora maioria, são magníficas escolhas, diria até mais, escolhas iluminadas, mas ao fim e ao cabo não são aquele que eu sinto ser o meu. Um dos factos mais luminosos, fascinantes mesmo, foi, e é sempre, a partilha da luz com todos. Mais ainda do que tudo o que nós possamos receber com estas experiências, o facto de não estarmos sozinhos, pelo menos do modo que os nossos sentidos humanos no-lo transmitem, e podermos sentir que todas aquelas maravilhas estão a ser sentidas de uma maneira ou de outra por outros, serve para nos fazer sentir parte de algo mais. Aquele algo mais que eu sempre soube que existia mas que durante um largo período de tempo andou esquecido, arredado, da linha da frente dos pensamentos e, mais importante, da linha da frente dos sentimentos. Era bom ter muitos e muitos dias cheios de tanta luz com este foi, era bom que sempre assim fosse. Continuo a trabalhar para que assim seja e para que quem puder e quiser os partilhe comigo sempre que estes acontecerem. Espero, sei, que muitos também o fazem ou querem fazer, e não nos podemos esquecer que tudo o que é preciso para que isso aconteça está dentro de nós.
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