
Bom, esta é forte.
Por onde começar?
Se calhar pela primeira palavra do título. Amor.
Ao que parece neste momento da nossa existência quase todos temos definições, significados, expectativas, projecções sobre o amor. Mas mais uma vez não será que estamos demasiado preocupados em definir em vez de sentir? Esta palavra, com uma energia tão forte como se calhar mais nenhuma tem, é usada, em grande parte das vezes, sem se sentir essa energia, ou indo ainda mais além, é usada sem se sentir, sem A sentir. No nosso tempo usamos esta palavra de um modo muito banal, falamos de amor muitas vezes e em relação a muita coisa mas como já referi quase nunca o sentimos quando nos referimos a ele. E não me interpretem mal, não há problema nenhum em falar de amor muitas vezes, em associá-lo a muita coisa ou a quase tudo. A questão normalmente vem associada ao resto.
Eu amo-te mas só se fores assim e assim, e fizeres isto e mais isto, e se não fizeres isto e mais isto. Eu amo aquilo que faço mas desde que não tenha que fazer isto e aquilo. Eu amo a minha família mas desde que não me chateiem nesta ou naquela altura, e se forem capazes de ver como eu tenho razão no que quero para ela. Eu amo mas… Eu amo desde que… Eu amo se…
Notam o padrão? Repararam em algo de estranho? É ou não isto, ou algo de semelhante, que nós passamos quase todo o tempo, durante a nossa existência, a dizer e a fazer?
Pois é, mais uma vez não estamos a sentir. Como diz muitas vezes um meu amigo, um irmão de luz, é preciso deixar de usar a cabeça (só a cabeça) e usar o coração, ele costuma apontar para estes dois sítios no nosso corpo, primeiro para a cabeça e depois para o coração. É preciso deixar de pensar (só pensar) e começar a sentir.
E é aqui que chegamos à nossa segunda palavra do título. Incondicional.
Por causa de tudo o que nós temos feito ao amor e para nos relembrarmos de como ele é na realidade começámos a falar de amor incondicional. Pois é, já se apercebeu? O amor, na sua essência, na sua origem, quando surge, é incondicional.
Eu Amo.
Esse é o verdadeiro amor, o único. O resto são muitas outras coisas que nós temos connosco, controlo, distância, fome, razão e muitas mais. Tivemos que juntar esta segunda palavra quando falamos verdadeiramente de amor para que despertemos e sejamos capazes de ver o que estamos a perder.
O amor É incondicional.
Precisamos de nos lembrar disso, precisamos de sentir que assim é, e quando isso acontecer já não vamos precisar de juntar a palavra incondicional ao amor para podermos explicar, dizer a alguém, de que o que estamos a falar é mesmo amor e não uma outra coisa qualquer que usurpou a palavra para sua conveniência mas, no entanto, não conseguiu usurpar a sua energia. Quando chegar o dia em que não mais precisaremos de dizer amor incondicional quando nos referimos ao amor será um dia em que iremos todos sentir o despertar ou o continuar da nossa evolução.
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